por Flávio Alves Silva
I
O vento soprava com sofreguidão pelos galhos vergados, deixando um
pouco do passado a nos confortar a desilusão presente...
O horizonte, tão lindo quanto distante, dava a estranha sensação
de nunca chegar.
Domei um sentimento lúgubre e sorri...
As balas multicoloridas, nos bolsos puídos, eram um conforto passageiro.
Até as nuvens perderam seu aspecto lúdico.
Abraçados como nunca, quietos como nunca;
ouvíamos nossos corações em descompasso...
Nossas bocas se procuraram por instinto...
Mas, nem os resquícios dos confeitos impediram o amargo na língua de ambos.
É engraçado como frases ditas com tanta paixão e segurança
parecem desmoronar, tão frágeis, agora.
Enquanto ela me tem como uma fortaleza indômita, meu olhar fraco,
busca uma rota de fuga...
Meias mentiras, agora, tornaram-se imensas verdades...que eu não posso mais
carregar.
Oh Deus! Por favor, não me condene!
O pesar nos meus olhos fez toda beleza ir embora...
Deixei medo, ao invés de esperança.
Oh Deus! Por favor, não me CONDENE...

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