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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

TELA




por Flávio Alves Silva




As flores murcham à míngua,
enquanto a chuva cai.
O clima se torna lento e suave
e a paisagem que era rude,
sob o fino lençol, frágil, se retrai.
Tenho uma rosa nas mãos,
aperto-a contra o peito e penso em ti.
Enuncia-se mais uma estação...
No reflexo das águas cristalinas, eu juro, teus olhos vi.
Se foi a chuva,
foi-se também a acalma e a mensagem...
Se foi o vento, levando consigo
o a lento e a imagem.
Eu, que nunca quis chegar até
as estrelas; hoje peço para ser uma qualquer...
Na imensidão do espaço infinito,
onde meus gritos não ouves,
sou uma lembrança que ninguém quer.
Nó passado;
enlaço futuro?
Quem sabe, talvez, numa outra dimensão
as flores suportem mais a dor
que traz a solidão em dias calados,
mas não mudos.


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