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                                                                                                                                      ...

sábado, 5 de janeiro de 2019

O FERIADO


por  Alves Silva

Meio da tarde...hoje o dia está quente, muito quente.
Nossa, que calor!
E, pra piorar, por estas bandas não corre nenhum fiozinho de
água aos meus pés. 
Nossa, que calor!
Hoje é quinta-feira...a semana ainda nem acabou, mas têm muito
pouca gente nas ruas. Ouvi dizer que é por causa de um tal,
FERIADO PROLONGADO. 
Devo confessar, que não conheço e nem fui apresentado a esse distinto cavalheiro mas que, com certeza, deve
ser alguém muito importante pois, está quase tudo fechado aqui no bairro. Apenas  a padaria da dona Arminda, de onde vem um cheiro maravilhoso de pão quentinho e, claro, o boteco do Tião estão abertos.
Nossa, que calor! 
Um dia assim, tão quente, não podia ficar sem a figura VAPOROSA da Selminha mas, a lojinha de roupas onde ela trabalha também está fechada hoje. Que injustiça!
Nossa, que calor!
As ruas não podiam estar mais tristes...As crianças que não foram para a praia, estão se refrescando e se refestelando nas piscinas dos clubes da cidade.
Que incômodo e vagaroso que é o silêncio. Deveria haver uma lei que proibisse o silêncio, principalmente em dias quentes. 
Nossa, que calor!
Hum; têm uns velhinhos reunidos ali na praça. Mas, estão tão caladinhos e concentrados. 
Que droga! Estão jogando damas. Bem que podiam estar jogando truco, que é bem mais barulhento e alegre.
Nossa, que calor! 
Crianças, voltem logo!
Ruas são como artérias e as crianças são o sangue que corre nessas artérias. 
Crianças voltem logo! 
Por favor, façam esse coração pulsar forte, novamente.
Nossa, que calor!
Do outro lado da rua tem um ponto de ônibus.
Normalmente ele está sempre lotado, mas hoje só tem uma mocinha esperando o BUSÃ0.
Ela me parece ser tão jovem...por que será que não foi à praia e nem está no clube num dia tão quente como hoje? 
Bom, talvez ela ainda vá. 
Nossa, ela é tão bonita!
Mas, ela está com uma expressão tão fadigada...parece estar um pouco triste também.
Ih, parece que ela me viu...está olhando pra cá agora. 
Nossa, ela é tão bonita!
Se, pelo menos eu pudesse ir até lá e falar com ela. O que será que ela está pensando, agora? Será que gostou de mim? 
Não, acho que não.
Ela é bem alta... não, eu acho que não... Acho que ela não quer nada comigo, não.
Vai ver que está olhando pra cá só por acaso. É, deve ser isso mesmo.
Mas, ela continua olhando pra cá. 
Vixe, ela se levantou!
Ih, ela me fez um gesto! Acho que ela quer que eu vá até lá.
Caramba, como é que eu vou explicar pra ela que eu não
posso ir até lá? Como é que eu vou? 
Como é que eu vou? Que pena...não era para mim que ela estava acenando não, era para o ônibus.
Nossa, que calor!
Ah, ela era tão bonita...
As ruas ficaram ainda mais vazias, agora. Até
os velhinhos que jogavam damas se foram. Nossa, que calor...
Começou a chover agora.
Nossa, ela era tão bonita! Será, que ela estava mesmo olhando pra mim?
Se, eu pudesse ter ido até lá pra falar com ela...
Nossa, que chuva pesada... será, que se eu derramar uma lágrima ela se sentirá triste, também?
Quem sabe, o vento se compadeça de mim e conte a ela. 
Que pena...lembrei agora que eu não sei chorar...será que sei amar?
Não, acho eu que não...afinal, eu não posso ter sentimentos, sou apenas uma guia da rua. Mas, ela era tão bonita...Ainda bem que está chovendo, agora.
                 
                      FIM                 

sábado, 22 de dezembro de 2018

CHAGA & REGAÇO

por Flávio Alves Silva


O ar úmido, as poças...
a greda indiferente sobe
pelas ventas dilatadas,
enquanto o Rei dorme tranquilo,
sob o manto enfunado.
Todas as cores numa só.
As crianças, que nunca param quietas,
refugiam-se pelos cantos...
Todas as sensações contidas, vociferam.
O silêncio dos olhos, perdidos,
tão longe, que não querem voltar...
Tão forte que eu jamais...
Tão perto que eu jamais...
Eu ouço seu coração bater...
Me perdoe, por chorar sobre o seu retrato.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

The Cure - Boys Don't Cry


would say I'm sorry
If I thought that it would change your mind
But I know that this time
I have said too much, been too unkind

I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry
Boys don't cry

I would break down at your feet
And beg forgiveness, plead with you
But I know that it's too late
And now there's nothing I can do

So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry
Boys don't cry

I would tell you that I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it's no use
That you've already gone away

Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more

Now I would do most anything
To get you back by my side
But I just keep on laughing
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry
Boys don't cry
Boys don't cry

TELA




por Flávio Alves Silva




As flores murcham à míngua,
enquanto a chuva cai.
O clima se torna lento e suave
e a paisagem que era rude,
sob o fino lençol, frágil, se retrai.
Tenho uma rosa nas mãos,
aperto-a contra o peito e penso em ti.
Enuncia-se mais uma estação...
No reflexo das águas cristalinas, eu juro, teus olhos vi.
Se foi a chuva,
foi-se também a acalma e a mensagem...
Se foi o vento, levando consigo
o a lento e a imagem.
Eu, que nunca quis chegar até
as estrelas; hoje peço para ser uma qualquer...
Na imensidão do espaço infinito,
onde meus gritos não ouves,
sou uma lembrança que ninguém quer.
Nó passado;
enlaço futuro?
Quem sabe, talvez, numa outra dimensão
as flores suportem mais a dor
que traz a solidão em dias calados,
mas não mudos.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

UMA LEITURA QUE EXIGE RESILIÊNCIA, POR SUA SINGULARIDADE




HERMANN HESSE, O AUTOR QUE,TALVEZ, MELHOR RETRATOU CADA FASE DE SUA VIDA. NESSA OBRA, ELE ENVEREDA PELA CULTURA HINDO, DE MANEIRA VANGUARDISTA.




O jogo das contas de vidro começa com um ensaio de introdução popular à história em que a comunidade de Castalia e o seu jogo de avelórios são apresentados. Em Castália procura-se desenvolver uma nova linguagem. Logo a seguir começa o livro propriamente dito com a descrição, ao longo de doze capítulos, da biografia do Magister Ludi, José Servo. O livro termina com as poesias e um relato sobre as obras póstumas de José Servo, que remetem a três encarnações anteriores do Magister.
Nos seus primeiros tempos em Castália é nomeado para ser seu representante nas discussões com Designori, pessoa do mundo secular que defende a vida do homem fora de elitismos de sabedoria tais como são vividos em Castália, com constantes críticas à mesma, firmemente mas amigavelmente rebatidas por Knecht. Após a sua formação, Knecht parte em viagem pelo reino de Castália (cuja Ordem tem instalações em vários sítios da nação), aprofundando os seus conhecimentos, tomando contacto com um sábio ostracizado por Castália pelo seu excesso de misticismo, a quem chamam de O Irmão Mais Velho, aprendendo com ele novas perspectivas sobre o conhecimento e a sabedoria.Sem os arroubos das obras anteriores do autor, O JOGO... exige folego, e algumas centenas de outras obras já lidas. Indico para leitores que adoram um desafio, assim como eu.